Sempre que trocarem e-mails à respeito do A Dança Se Move encaminhem também para adancasemove@gmail.com
Mostrando postagens com marcador CARTAS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CARTAS. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Carta-Manifesto do Encontro Nacional da Dança


Foto: Rafaella Ribeiro

O movimento A Dança Se Move apoia a Carta-Manifesto do Encontro Nacional da Dança, divulgada dia 29/04, Dia Internacional da Dança:

Carta de Recife – Manifesto da Dança Brasileira reunida no Encontro Nacional da Dança - D.D.Dança, realizado entre 27 e 29 de Abril de 2016 na cidade de Recife, Pernambuco. Dia Internacional da Dança. Dirigido à Sociedade Brasileira, a todos os profissionais da dança no Brasil e à Comunidade Artística Internacional.

"Nós, profissionais reunidos no Encontro Nacional de Dança, denunciamos a ameaça de interrupção da ordem democrática em nosso país, movida por setores corruptos do sistema político, contando com a omissão condescendente do poder judiciário, especialmente do Supremo Tribunal Federal - com o apoio ativo do monopólio da comunicação mantido por um pequeno número de famílias detentoras de veículos midiáticos - no sentido de impedir o mandato presidencial vencedor das últimas eleições com mais de 54 milhões de votos. Tal ameaça, também apoiada por setores de grande poder econômico, visaria, de fato, anular as conquistas realizadas pelas lutas da sociedade civil, no campo da segurança social, dos direitos civis e notadamente no campo da cultura, atingindo diretamente o conjunto das conquistas e avanços realizados nos últimos anos ou ainda em processo de construção, e que significam a destruição de uma geração de esforços empenhados em reverter a enorme injustiça social ainda vigente em nosso país. Não podemos aceitar esses retrocessos e conclamamos a todos os agentes culturais, incluindo os da comunidade internacional, a nos apoiar na resistência a essa arbitrariedade."

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

CARTA À SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA

CARTA ENVIADA E PROTOCOLADA À SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA AOS CUIDADOS DE JUCA FERREIRA 

São Paulo, 24 de setembro de 2013

Excelentíssimo Secretário de Cultura da Cidade de São Paulo, Juca Ferreira.

A Cooperativa Paulista de Dança vem, por meio deste comunicado, manifestar seu total descontentamento com o fato ocorrido recentemente na sua secretaria.

Explico: Como ocorreu na Virada Cultural em que a sua secretaria contratou grupos de Dança com valores muito baixos em relação às outras áreas artísticas, infelizmente, a mesma prática volta a se repetir. A Secretaria contratou Márcia Milhazes Companhia de Dança, para se apresentar na Galeria Olido, pagando valores muito acima do que é oferecido aos artistas paulistanos. 

Segundo dados do Diário Oficial publicado em 14/09/2013, a supracitada companhia recebeu o valor de R$ 30.000,00 por duas apresentações, nos dias 28 e 29 de setembro, na Galeria Olido. Os artistas paulistanos, por sua vez, receberam o valor de R$ 3.500,00 para se apresentarem recentemente na mostra de Fomento à Dança. Isso expõe uma declarada dissonância de convívio entre a sua gestão e a categoria, pois acreditamos que este procedimento vai de encontro ao que temos discutido com Vossa Senhoria, a partir de 2013, ano do início da sua gestão.

A cooperativa questionou os responsáveis pela programação de dança, mas não obteve resposta.

Caro Secretário, construir uma verdadeira ação coletiva na busca de uma política pública consistente para a Dança nesta Metrópole, estado e País, tem sido nossa principal bandeira de luta.

Entendemos que tal procedimento não condiz com a sua proposta de governo apresentada para a Dança paulistana.

Ressaltamos que não somos contra o cachê oferecido ao grupo dirigido por Márcia Milhazes, o que cobramos é que aja uma justa equiparação de valores pagos aos artistas de São Paulo.

Se a Secretaria de Cultura alega falta de verba dignas aos artistas paulistanos, como explicar estes valores oferecidos?

Esperamos um pronunciamento de Vossa Senhoria sobre o ocorrido o mais breve possível.

Cordialmente,
Cooperativa Paulista de Dança
Sandro Borelli - Presidente

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Carta aos Artistas da Dança, por Daniel Kairoz

São Paulo em meio ao frio o sol consola o dia dezenove de agosto de dois mil e treze.
 
 
Caros artistas da dança,
 
falo em nome de Daniel Kairoz. Não falo por mim, mas pelo que represento.
 
Um desconhecido para a maioria de vocês. Um jovem coreógrafo para aqueles que já ouviram este nome. Um nome a se desconfiar para muitos. Um coreógrafo que transita e articula diferentes campos para aqueles que me conhecem minimamente.
 
Como sabem, em Assembléia fui votado para integrar e representar a dança no Conselho da Cidade de São Paulo e isso não foi uma vitória minha, mas uma conquista da dança.
 
Conquista da dedicação e do empenho dos movimentos A Dança Se Move, Mobilização Dança e da Cooperativa Paulista de Dança.
 
Conseguimos nos fazer ouvir. Construímos juntos um espaço de ação. E isso é só o começo.
 
E não só o começo, como também a continuidade. Há ao menos uma década, artistas da dança vem se mobilizando e se articulando para conseguir instaurar políticas públicas para a dança em São Paulo. Um bom exemplo é a Lei de Fomento à Dança, uma conquista dessas lutas, dessas mobilizações.
 
Após a ignorante (por ignorar-nos) e infeliz escolha da coreógrafa carioca Deborah Colker para ingressar no Conselho da Cidade, nos reunimos afim de juntos elaborarmos um posicionamento e consequentemente um gesto com relação a esta infeliz ignorância.
 
Decidimos por exigir uma cadeira no Conselho para alguém que fosse escolhido pelos próprios artistas da dança da cidade de São Paulo. Inicialmente três nomes foram escolhidos para sugerir ao atual prefeito, Fernando Haddad, a juntos integrarem o Conselho – Sandro Borelli, Sofia Cavalcanti e Daniel Kairoz. Talvez apenas estes três nomes justapostos pudessem representar a dança de alguma forma. Não por que cada um deles represente uma subcategoria dentro da categoria dança e juntos contemplassem categorias diversas, não por isso. Mas sim, pela impossível resolução e complexa articulação entre estes três nomes, entre três modos de pensar-fazer dança e política, não em uma unidade, mas em um complexo irresoluto em tensão que sustenta um campo potente de possíveis.
 
Nos chegou a notícia de que apenas uma cadeira nos seria concedida.
 
Aceitamos.
 
Não vi a votação como uma disputa, mas como um instrumento proto-democrático fácil para resolvermos um problema urgente: escolher apenas um dentre estes três nomes.
 
O nome mais votado foi o meu, Daniel Kairoz.
 
Não acredito que este nome represente a dança, nem este nem qualquer outro poderia representar a dança. Esta ideia de representação é um absurdo, um-que-fala-no-lugar-de-outro, isso é uma violência à democracia.
 
Me vejo ali no Conselho como uma porta de entrada para toda uma multidão que dança, me vejo como porta-voz. Porta-voz dos movimentos A Dança se Move, Mobilização Dança, Cooperativa De Dança e de todos aqueles que se aproximarem. Preciso de  todos vocês ali comigo! De todas estas outras vozes. Não quero nem posso falar sozinho ali. Agora falo por mim. Serei este meio de comunicação, este habitante dos limites que leva e traz, que faz a ponte (link) entre lugares (sites) e assim pretendo, mercúrio que sou.
 
Para vocês não serei um representante, não posso ser. Porém ali no Conselho serei visto como aquele que os artistas da dança escolheram para falar-em-nome-deles, e só posso estar ali, se vocês estiverem junto comigo. Não falarei em nome de ninguém, mas portarei vossas vozes. Me dedicarei a colocar a dança em articulação com os demais campos do conhecimento humano e do fazer humano – educação, arquitetura, urbanismo, religião, política, filosofia, cinema, etc. Por transitar por diversos campos pressinto que o mínimo que posso fazer ali é este reposicionamento da dança e sua necessária articulação no espaço público (polis).
 
E o que represento? O que significa esta escolha? O que diz este fato?
 
Estamos vivendo um momento de rupturas (e reativamente de forças extremamente reacionárias) e aberturas da temporalidade (e consequentemente de fechamentos). Há uma outra geração redesenhando a paisagem histórica, uma geração a qual eu pertenço. Tudo o que está acontecendo agora no âmbito político é fruto de um momento histórico de convergências de diversas forças que vinham traçando diferentes caminhos e que agora oportunamente ao acaso se encontraram e trouxeram à tona toda uma problemática estrutural que vem fundamentando nossa organização sociopolítica de séculos.
 
Há dois pontos aqui que gostaria de pôr à luz deste texto.
 
Um. Para esta geração que chega, digo. Não podemos continuar re-produzindo esta ideia de estrutura que até então vinha imperando de forma hegemônica, enquanto fundamento, enquanto chão firme sobre o qual erguemos patamares verticais no sentido de “uma inserção desejante de um melhor posicionamento de si” (cito Felipe Ribeiro no filme Exgotamento). Não! Não nos deixemos seduzir pelos cargos de poder. É preciso rompermos com toda esta lógica ressentida cuja finalidade única é “ganhar o seu”, pagar suas contas, se divertir e se calar. Precisamos tirar fora o que ainda há de ressentimento no gesto crítico. Façamos da crítica um motivador à criação de sempre-outros critérios. Critérios condizentes com o contexto presente, que coloquem em crise o presente do contexto no sentido de uma sempre-abertura à geração por vir. Esta geração que agora chega não é o fim, é apenas a abertura para a geração que virá. As gerações estão sempre por vir.
 
Assim.
 
Dois. Precisamos sustentar esta abertura no tempo, não há nada para resolvermos. Não há resolução possível. Não podemos deixar que os movimentos sejam novamente estancados e congestionados. Me pergunto: Como elaborarmos uma coreografia que faça da estrutura uma abertura infinita aos movimentos precisos?
 
O meu nome ter sido o mais votado me soa apenas como um sintoma deste momento. E agora cabe a mim permitir uma articulação dos tempos.
 
Convido através desta carta, a Sofia Cavalcanti e o Sandro Borelli a serem meus conselheiros, a estarem mais próximos de mim nesta Cadeira que não é minha, mas da dança.
 
Eles tem a experiência que não tenho. Anos de dedicação à dança, à construção de um espaço para a dança nesta cidade, e junto com outros artistas, vêm traçando os caminhos políticos de um reposicionamento da dança no contexto de política cultural de São Paulo. Há toda uma experiência que precisa ser continuada, desdobrada e levada ao limite.
 
Convido também todos os artistas da dança que até então se sentiam sem cabimento nas discussões políticas e artísticas da dança, a adentrarem e criarem juntos este espaço. O espaço nunca existe como um a priori, precisamos sempre construí-lo, juntos, caso queiramos evitar toda uma problemática que o sistema de representações instaura (deixo que o outro fale e faça por mim, me isento da responsabilidade, pois já votei, já elegi, já abri mão do meu poder. Porém reclamo que o que está sendo construído não me diz respeito.)
 
Proponho um cronograma de encontros mensais nossos (A Dança se Move, Mobilização Dança, Cooperativa Paulista de Dança, e todos que desejem estar) para discutirmos tudo o que nos for urgente e onde eu possa compartilhar com vocês as reuniões do Conselho. Que já tenhamos de antemão estas datas para nos organizarmos e fazermos deste um espaço poélítico.
 
Por um espaço de invenção a fomentar nossas criações artísticas enquanto gestos políticos no mundo!
 
Se desejamos uma outra-política (pois esta que opera desde há muito não nos cheira bem), se desejamos o que o Fernando Haddad chamou de política com “P” maiúsculo (poderíamos questionar esta maiusculinidade do “P”, mas deixemos para outra ocasião), precisamos dentro da nossa organização conduzir os modos de ação e de discurso a se aventurarem por caminhos desconhecidos. Não como bandeirantes, mas como poetas. Só assim conseguiremos sustentar as aberturas e manter em movimento os fluxos de invenção. Fazendo com que coincida o gesto político e o gesto poético.
 
O poeta enquanto aquele que almeja o impossível. Que dá a ver o invisível, que dá a escutar o inaudível, concatenado com o político, aquele que atua no campo dos possíveis, que atua no espaço público, na polis. Que leva o gesto poético à público. Elaborar uma articulação irresoluta entre o possível e o impossível, sem uma solução final, mas que abra os caminhos à política por vir.
 
Se falam que existe diálogo em São Paulo, se este é o slogan político da atual gestão, façamos desta fala acontecimento, elevemos o diálogo à infinita potência. Dialoguemos ao extremo e transmutemos o diálogo em conversa infinita.
 
Isso em si já é um ato político, ato de uma força avassaladora. Afinal, quem está disposto a uma conversa infinita nestes nossos tempos? Quem está disposto a sustentar o campo dos possíveis aberto sem uma solução final?
 
Quando falo em transmutar diálogo em conversa infinita, proponho este gesto no sentido de desfazer o que há de dialético e dialógico no diálogo. Uma conversa que sustente as diferenças ao invés de re-solvê-las.
 
Um diálogo que articule os mais diversos discursos sem um denominador comum, sem uma unidade, sem uma síntese, mantendo irresolutas suas diferenças, já passou de diálogo, já se projetou no espaço infinito do outro. Se fez conversa infinita.
 
Estas palavras podem soar delíricas, utópicas, insanas e isso não me parece um problema, pois uma conversa infinita é o mínimo que podemos esperar de um Conselho da Cidade de São Paulo e deste momento histórico que estamos vivendo. Menos que isso é nada!
 
Não sei o que será deste Conselho, não sei da força que ele terá. Mas não deixa de ser um espaço proposto pela atual gestão onde podemos gestar gestos, articular pensamentos e ações ali no tête a tête com o poder. E isso pode ser imenso. Só depende do nosso gesto em deixar que isso assim se dê. Cabe a nós, fazer desta abertura uma abertura e sustentá-la como tal.
 
Enquanto um convidado que haviam esquecido de convidar e que por isso chega atrasado na reunião, tentarei me articular com aqueles que participaram das duas primeiras reuniões já acontecidas do Conselho da Cidade e chegar minimamente informado de onde estou entrando, onde estou pisando. O que já foi discutido, elaborado, etc.
 
Ainda ouço demais minha voz nesta carta, mas a partir de agora, desejo que minha voz se faça múltipla e difusa, emaranhada às vossas vozes.
 
Mando notícias. E aguardo respostas com relação às propostas que coloquei aqui.
 
deixo aqui meu e-mail para quem quiser se comunicar diretamente comigo: danielkairoz@gmail.com
 
Seguimos juntos
 
nada de mau se perdeu
nada de bom foi em vão
uma luz ilumina tudo
mas deve haver mais
Arseni Tarkovski

Daniel Kairoz.

 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Carta ao Presidente da FUNARTE

São Paulo, 03 de abril de 2013.

Excelentíssimo Presidente da FUNARTE Antonio Grassi,

O cooperativismo na história do desenvolvimento econômico brasileiro teve raros momentos de relevância, enquanto alternativa de articulação e empreendimento efetivo para os diversos setores da produção nacional.

Em busca de uma representação mais consistente, política e administrativa no processo de redemocratização nos anos 80, grupos e profissionais da arte se pautaram pelo caminho da re-construção e representação da categoria pela via do cooperativismo. Tendo em vista que os princípios norteadores ali estabelecidos tinham muito em comum com as reivindicações feitas no cotidiano das práticas artísticas e com as necessidades profissionais estabelecidas para as suas realizações.

Hoje, apesar das inúmeras exigências fiscais estabelecidas pelos órgãos repressores de controle do Estado e do tratamento "igualitário" aos empreendimentos que em nada tem a ver com a prática coletiva, ao contrário, sempre fundamentando-se pela via exclusiva da exploração do trabalhador, a ação cooperativismo, na área artística, tem iluminado caminhos significativos, seja na possibilidade de uma representação efetiva e legitima dos envolvidos e sua grande capacidade de diálogo com os demais setores econômicos ou mesmo na viabilização de alternativas econômicas administrativas mais consistentes. Núcleos socialistas num ambiente capitalista perverso. Uma luz no fim do túnel.

Isto posto vimos solicitar um diálogo objetivo e sincero junto ao Presidente da FUNARTE Antonio Grassi no sentido de buscarmos alternativas efetivas, claras e objetivas para um desenvolvimento permanente e pleno da classe artística brasileira.

Elencamos neste documento algumas falhas, que consideramos sérias, de procedimentos para com a dança por parte da Funarte e principalmente do Ministério da Cultura, reflexões e algumas sugestões:

- A Cooperativa Paulista de Dança pede o fim dos tributos PIS/COFINS para todas as Cooperativas de Cultura deste país, pois, oneram injustamente toda categoria artística cooperativada do país.

- É necessário uma reavaliação dos valores do edital Klauss Vianna, atualmente em torno de 6 milhões, em relação ao Myrian Muniz, em torno de 12 milhões.

- A Funarte não tem cumprido os prazos de pagamentos estabelecidos aos contemplados no edital Klauss Vianna (2012), só da Cooperativa Paulista de Dança são quatro os que ainda não receberam a verba para trabalharem em seus projetos.

- Reformulação imediata do edital Prêmio Funarte de Arte Negra, pois entendemos e compreendemos Cultura Negra como uma conquista e um valioso bem cultural de todo povo brasileiro, o Ministério da Cultura e a Funarte não devem validar apenas a participação de Grupos Negros e de Entidades Jurídicas com participação de negros em seu conselho administrativo. Somos totalmente contra qualquer tipo de separação racial através da Cultura.

- O governo não reconhece o trabalhador da cultura como um produtor de cidadania ao oferecer verbas irrisórias nos seus editais.

- É histórica a falta de um diálogo objetivo desta entidade para com a classe artística e acreditamos ser vital que se inicie o quanto antes, queremos ser ouvidos por este governo que apregoa a todo o momento que governa para o povo trabalhador brasileiro.

- Em virtude das demandas da dança no estado de São Paulo estarem cada vez mais intensas, sugerimos ao presidente da Funarte que crie um cargo regional de coordenador de dança e que o nome seja indicado pela classe.

- A Cooperativa Paulista de Dança pretende organizar o “l Encontro Nacional da Dança” tendo a Funarte como parceira e contando com seus recursos financeiros para esta ação. O objetivo deste encontro, que contará com a participação efetiva do Governo (MinC, Funarte, etc) e sociedade civil é a sistematização de um projeto de lei do Fomento à Dança em todo o território nacional a ser encaminhado ao Governo Federal.

Certos de podermos contar com a sua compreensão, apresentamos nossos melhores cumprimentos.

Atenciosamente,
Cooperativa Paulista de Dança - Presidente - Sandro Borelli

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Carta ao Sr. Secretário Municipal de Cultura Juca Ferreira

São Paulo, 02 de janeiro de 2013.

Prezado Exmo. Sr. Secretário Municipal de Cultura

Juca Ferreira,

POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À DANÇA – legítimas, atuais e republicanas.

A DANÇA PAULISTANA, representada por seus artistas profissionais, vem cumprimentar-lhe pela posse como Secretário Municipal de Cultura, e propor a continuidade de diálogo entre a Secretaria de Cultura e os artistas da Dança. Explicitamos, abaixo, considerações relevantes sobre as conquistas, até então promovidas por esse diálogo, assim como, pontuamos as questões que mereceriam uma maior atenção por parte da Secretaria Municipal de Cultura.

A cidade de São Paulo tem, em seu panorama, uma rica e múltipla dança. Seus profissionais estão em rede, conectados, representados aqui pelas entidades: Cooperativa Paulista de Dança e Movimento Mobilização Dança, reunidos pelo seminário permanente, A Dança se Move, entre outras entidades.

Os artistas profissionais de nossa cidade conferem desdobramentos de refinadas escolas de pensamento na arte da Dança: criamos e somos influenciados a partir de grandes artistas brasileiros ou transnacionais, e por épocas distintas, culturas, contextos aclamados, sutis, desconhecidos, instigantes, reinventados.

Assim, relembremos a concepção e a intenção original da Lei de Fomento à Dança na cidade de São Paulo, discutida e elaborada junto aos então vereadores, Tita Dias e Nabil Bonduki, e encaminhada por este e pelo vereador José Américo. Tendo sido aprovada por unanimidade pela câmara dos vereadores em 2005, esta foi estabelecida na Lei nº 14.071-05.

Por meio de dois editais por ano, o Programa Municipal de Fomento à Dança destina recursos para pesquisa, produção, circulação e manutenção. A partir dessa lei, o circuito organizacional gerado possibilitou inúmeros desdobramentos de extrema complexidade. A Dança em São Paulo se desenvolveu assumindo outro patamar: companhias estabelecendo-se, valorização dos artistas independentes, projeção e reconhecimento do status de bailarino, dançarino, coreógrafo, iluminador, cenógrafo, criador de trilha sonora, criador de luz, operador de luz, operador de som, produtor, etc., projetos perdurando e consolidando-se, novas dinâmicas de diálogo social, cargos sendo gerados, técnicos sendo capacitados nas especificidades da produção desta área, enfim, a produção em dança assume, hoje, uma atuação profissional madura, não sendo circunstancial.

Apesar dos avanços, aqui apontados, e conscientes de que ainda há muitos desafios que precisam ser resolvidos, para que se estabeleça uma real política pública de Estado, nos preocupam os atuais encaminhamentos por parte dos poderes públicos.

São desafios que envolvem o Estado, entidades setoriais e iniciativa privada, e requerem ações mais efetivas e, sobretudo, maduras em relação à diversa e sofisticada produção cultural brasileira, que, além de sua relevância simbólica e social, deve ser entendida como um dos grandes ativos econômicos da cidade e do país, capaz de gerar desenvolvimento e cidadania. Entendemos que realizar esse potencial significa produzir riqueza e inclusão social, além da inserção qualificada da nossa cidade no cenário nacional e internacional.

Hoje, a necessidade é consolidar POLÍTICAS PÚBLICAS DE FOMENTO À DANÇA no que diz respeito à:

> implantação de programas que correspondam às especificidades da área (estímulo de artistas emergentes; manutenção e projeção de artistas em meio de carreira; criação de prêmios, bolsas-viagem; implementação de residências artísticas, novas tecnologias, etc.);

> intensificação ao apoio à pesquisa, produção, circulação e memória, com recursos não contingenciáveis, e a garantia de sua continuidade, para reverter uma histórica ausência de política pública de estado para a dança;

> participação nos processos decisórios de políticas públicas, por meio do diálogo entre os poderes legislativo, executivo e a sociedade civil organizada;

> postura republicana no que diz respeito ao acesso aos recursos destinados à cultura, mediante editais públicos e mecanismos de difusão, seleção e acompanhamento do uso desses recursos por parte da sociedade civil organizada;

Ressaltamos aqui algumas das questões e necessidades que envolvem nossa área:

* Dificuldades de manutenção dos espaços públicos já existentes, bem como necessidade de criação de novos espaços por meio da ocupação de áreas ociosas na cidade de São Paulo.

* Necessidade de implementação de programas e ações voltadas à realização de projetos de longo prazo a fim de garantir a continuidade de companhias de dança e artistas independentes com trabalho consolidado na cidade.

* Deficiência de programas continuados de difusão/circulação da dança na cidade, no estado, no país e no exterior, inclusive no sentido de levar à população o produto de seu investimento na cultura.

* Carência de diálogo entre gestores e profissionais da dança, com menos interlocução burocrática.

* Demandas e potencialidades da dança são desconhecidas numa cidade que acumula um potencial artístico da maior magnitude, sendo considerada referência para outros estados e países.

* Circulação precária de informações sobre a dança como área de conhecimento, privilegiando-se o caráter de produção de espetáculos. Os saberes do corpo excedem, em muito, uma noção de entretenimento e produções pontuais, e têm um papel, ainda, mal aproveitado no desenvolvimento de uma cidadania plena.

* Ausência de profissionais especializados em dança nos cargos de gestão pública para o setor, colocando em risco as conquistas da categoria, uma vez que profissionais não qualificados criam distorções. A esse respeito, notamos a necessidade do cargo de Coordenador de Dança, que foi extinto; deveria ser recriado e ocupado por alguém com perfil articulador intra e extra máquina pública, disposto a dialogar com a Educação, as subprefeituras, os CEUs, e principalmente com os movimentos organizados dos profissionais existentes em São Paulo, que têm colaborado com esta secretaria nos últimos anos.

* Precariedade de espaços adequados à prática de dança, pois, apesar de haver na cidade de São Paulo aproximadamente 50 CÉUs com espaços cênicos interessantes, a maioria deles não conta com espaços de residência e carece de organização mais efetiva por parte de seus administradores. A própria Galeria Olido (e nesta, o Centro de Dança Umberto da Silva) funciona com limitações técnicas e de recursos humanos que colocam em risco seus objetivos, além de representar desperdício de recursos públicos; falta um treinamento adequado aos funcionários do atendimento, uma equipe de gestão com autonomia e iniciativa, melhorias técnicas nos estúdios para que comportem condições para mostras e espetáculos, uma política para ampliação, manutenção e utilização do acervo, iniciativas de difusão permanente, entre outras coisas.

Em síntese: ainda é preciso evoluir muito nas ações de fomento e na capacidade de formulação e planejamento por parte dos realizadores e das organizações do setor, superando a lógica de projetos pontuais.

Isto posto, vimos solicitar uma audiência para iniciarmos um diálogo objetivo junto à Secretaria de Cultura no sentido de fortalecermos o desenvolvimento permanente da dança em sinergia com as ações e princípios cidadãos defendidos pela Cooperativa Paulista de Dança/Movimentos de Dança da cidade.

Certos de podermos contar com a compreensão de vossa excelência; agradecemos antecipadamente e apresentamos os nossos melhores cumprimentos.

Seja bem vindo.

Cordiais saudações,

Cooperativa Paulista de Dança
Movimento Mobilização Dança/SP
Movimento A Dança se Move/SP

domingo, 16 de dezembro de 2012

17/12 às 10h na Câmara Municipal para entrega da carta

Olá amigos!

Amanhã, 17/12, a partir das 10h da manhã, haverá mais uma audiência na Câmara Municipal (Encontro para se discutir o Parecer do orçamento para 2013).

Precisamos estar lá amanhã para entregarmos uma carta a todos os vereadores da casa pedindo apoio a emenda do José Américo, que propõe a ampliação do Fomento à Dança para 2 anos.

Precisamos desta ação para amanhã, porque na terça feira a partir das 13h haverá a votação final!

Se não fizermos nada, corremos o risco de não termos aprovado esta emenda, não termos aprovado o aumento proporcional da verba e ainda por cima termos um corte de 1 milhão no Fomento para 2013.

Conto com vcs amanhã na Câmara.

Sandro Borelli


Esta é a carta que deverá ser entregue aos vereadores:

São Paulo, 17 de dezembro de 2012.
  
Ilmos. Senhores Vereadores de São Paulo,
  
"A Dança se Move", seminário permanente que reúne os movimentos, os artistas e os profissionais da Dança Contemporânea de São Paulo, vem discutindo e encaminhando demandas para o avanço das políticas públicas desta cidade. Vimos contando, desde sempre, com o apoio do Ilmo. Vereador, José Américo, desta casa, para novos programas dirigidos ao desenvolvimento de nossa atividade na cidade. No momento, nos empenhamos em lutar pela aprovação da emenda, de autoria do nobre Vereador, e também à necessária equiparação orçamentária, fundamental para sua aplicação, conforme detalhado a seguir: 

Nossa prioridade, para o fim do exercício de 2012, é a aprovação da Emenda 4160/2012 – Projeto de Lei 424/2012 que altera a Lei de Fomento à Dança - Lei 14071/05 (aprovada por unanimidade em setembro de 2006), ampliando de 1 (um) ano para 2 (dois) anos o período de realização dos projetos enviados. À essa implementação é imprescindível o aumento da dotação orçamentária para R$ 18.600.000,00, levando em consideração, a verba aprovada no exercício de 2012, esta que estipulou-se em R$ 9.300.000,00.

Contando com o apoio da Câmara dos Vereadores, nesta importante medida e, em um futuro de pautas que encaminharemos a partir do início do próximo mandato, agradecemos antecipadamente pela atenção dos Ilmos. Vereadores e apresentamos os nossos melhores cumprimentos.

Atenciosamente,

Cooperativa Paulista de Dança
Movimento Mobilização Dança (São Paulo)
Movimento A Dança se Move (São Paulo)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Carta manifesto em evento do PT

Alex Merino lê carta sobre manifesto da dança em evento do PT
Integrante da CPD faz discurso pungente sobre melhorias para dança paulistana

Por Siva Nunes – Jornalista da Cooperativa Paulista de Dança

Diretório municipal do PT realiza evento sobre cultura e cidadania com candidato a Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, no sindicato dos engenheiros reunindo classe artística e sociedade civil. Merino – integrante do conselho Fiscal da CPD – em oportunidade de tempo para dança discursa sobre as atividades políticas esperadas pelo candidato e a classe.

Reunindo diversas personalidades, entre elas Celso Frateschi que alega “o fomento é uma forma de calar a boca de artistas e não de formação de público. Faz-se uma produção para ninguém ver” e Eduardo Suplicy que cita Paulo Freire como um grande educador brasileiro e seu método como uma forma de aproximar diferentes pessoas em diferentes contextos. Com finalização no discurso de Haddad que afirma “o transporte é pensado apenas no trabalhador e não no cidadão que quer utilizar a cidade culturalmente”, Cooperativa Paulista de Dança marca presença com discurso escrito por Sandro Borelli e Hélvio Tamaio.

Confira abaixo, vídeo do discurso.

http://youtu.be/jCBWJ8YHBmE

terça-feira, 10 de julho de 2012

ProAC Primeiras Obras


Carta ao Secretário de
Estado da Cultura de São Paulo - ProAC

Carta ao Secretário de Estado da Cultura de São Paulo / Ano 2012
POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A DANÇA / Programa de Ação Cultural (ProAC)
Edital nº 6 - Primeiras obras de produção de espetáculos e temporada de dança

Os artistas e profissionais da dança reunidos no 9º seminário “A Dança Se Move” vêm reiterar algumas colocações feitas previamente e, sobretudo, manifestar nossos questionamentos, discordâncias e sugestões ao que diz respeito ao Programa de Ação Cultural - ProAC – Edital nº 6 “Primeiras obras de produção de espetáculo e temporada de dança no Estado de São Paulo”.

Assim sendo, queremos com esta carta reivindicar alterações referentes a:

- Revisão da definição dos parâmetros de enquadramento para participação no Edital ProAC nº6, considerando as discussões e reivindicações da classe, tal como será desenvolvida nesta carta;

- Revisão da restrição do edital voltado apenas a novas produções, para que possa contemplar além destas, também a circulação de trabalhos já criados – tornando o edital mais coerente à realidade de artistas considerados em início de trajetória.

Queremos relembrar que uma das colocações feitas na carta anterior referia-se à solicitação de um edital específico para cada segmento das artes cênicas (dança, teatro e circo), que eram até então contemplados conjuntamente no edital “Primeira Obra de Artes Cênicas”. Consideramos como extremamente positiva a separação dos três segmentos, podendo assim atender a um maior número de proposições em suas específicas linguagens.

Por outro lado, sentimo-nos bastante insatisfeitos ao deparar-nos com as definições e hipóteses de enquadramento descritas no Edital nº 6. A saber:

II. A) Artista ou grupo de artistas iniciantes são os que se enquadrem em pelo menos uma das hipóteses abaixo:

1. Qualquer forma de experiência em Dança – atuação, coreografia, direção, técnica, produção e administração - há no máximo 2 (dois) anos;

2. Nunca ter recebido remuneração por qualquer forma de experiência em Dança – atuação, coreografia, direção, técnica, produção e administração;

3. Nunca ter se apresentado para uma plateia.

Gostaríamos aqui de declarar nossa discordância com tais definições e solicitamos uma abertura para uma discussão e revisão do edital. O segmento formado pelos artistas em início de trajetória é um grupo grande e heterogêneo, composto por diferenças e similitudes, mas que compartilham necessidades ao que diz respeito às  exigências e dificuldades de se inserir no mercado artístico paulista. Este segmento precisa de editais que contemplem as suas especificidades.

Um agrupamento de artistas da dança considerados em início de trajetória profissional ligados ao Movimento A Dança se Move têm realizado encontros sistemáticos e elaboraram um novo programa de bolsas que foi entregue à Prefeitura de São Paulo. Neste programa, a própria categoria, discutindo e entendo as singularidades que a compõem, estabeleceu-se como:

“ Artistas e pesquisadores que se julguem em fase inicial do desenvolvimento de sua trajetória, tais como: criadores, grupos ou coletivos em suas primeiras produções autorais; alunos egressos de universidades, cursos técnicos e/ou cursos livres; envolvidos no contexto artístico da dança que estejam interessados em desenvolver pesquisas que contribuam para este campo de conhecimento.”

A formação em dança não possui limites específicos e objetivos que possam se estabelecer como “regra” para toda categoria. Tal formação envolve um trajetória plástica e móvel, que difere de pessoa para pessoa, de ambiente para ambiente, de momento para momento. Isto é, não se faz de um modo único; ela reflete uma construção em variados campos de pesquisa, que podem acontecer a partir de diferentes necessidades e com durações distintas. Quando com o ítem 1 o edital busca determinar o que seria um artista em início de trajetória através da prerrogativa de um tempo máximo de experiência de 2 anos, ele se mostra completamente desconectado e desinformado dos processos de formação em dança. Observamos atualmente, por exemplo, um grande crescimento de cursos de graduação e pós-graduação – sem que isso seja um fator decisivo para conferir grau de profissionalização a um artista da dança. Podemos também considerar que as diferentes funções que um artista desta área pode ocupar (dançarino, coreógrafo, produtor, pesquisador, educador, curador, etc) requerem também diferentes formações. Pensar em tempo máximo de experiência em dança não é um bom recurso para definir este segmento da área.

Especificamente quanto à questão do item 2, que exclui aqueles que já receberam alguma remuneração, é fundamental ressaltar que para estudantes, artistas principiantes e/ou em fase inicial de desenvolvimento da sua pesquisa, prestar serviços em algumas funções acima citadas é uma das maneiras de garantir a continuidade de sua formação profissional. Além disso, o termo “remuneração” é bastante amplo para ser um fator excludente. Uma irrisória ajuda de custo por exemplo, já inviabiliza a participação no edital.

Quanto à condição de nunca ter se apresentado para uma plateia (referente ao item 3), ela também nos parece por demais desconectada do contexto de formação em dança. Qualquer estudante, por mais iniciante que seja, tem oportunidades para dançar para uma plateia. Uma criança que começa a fazer aulas de dança facilmente se apresenta publicamente. Não haveria problema do edital abranger pessoas que nunca dançaram para um público, a questão é proibir a participação de um contingente enorme de pessoas interessadas em criar e produzir dança. Por mais que o objetivo do edital fosse contemplar um segmento pouco incentivado - artistas em fase inicial -, o modo como foram estabelecidos os critérios de participação se constituiram na lógica da exclusão.

Um artista em início de trajetória não pode ser definido em idade, nem em tempo de prática, nem em quantidade de experiências cênicas, nem em quantidade de remunerações já recebidas – pois todos estes itens podem ter variações infinitas na história de cada um. A formação de um artista envolve pesquisa, aprofundamento de questões e inquietações, sejam elas estéticas, técnicas, metodológicas e/ou conceituais. Todas estas são processuais e de ordem qualitativa – nunca quantitativa.

Como exposto anteriormente, a diversidade constitui este grupo que é formado por estudantes, profissionais que trabalharam em companhias de dança e que agora investem na sua criação pessoal, e criadores-intérpretes que, mesmo já tendo realizado alguns poucos trabalhos, ainda estão em fase inicial de desenvolvimento da sua linguagem. Este grupo como um todo não está contemplado nos editais que se apresentam atualmente. Por um lado, são inexperientes demais para concorrer com editais que visam a realização de produções maiores, tais como o Edital ProAC nº 4 Produção de espetáculo inédito e temporada de dança, e o Edital nº 5 Difusão e Circulação de espetáculo de dança, por outro, são muito experientes para este Edital ProAC nº 6. Há um grande contingente de artistas que não se enquadram aos formatos de incentivo atual, com trajetórias que ficam interrompidas no meio de seu percurso. Se não houver uma alteração neste cenário, torna-se inviável a estes artistas atingir o aprofundamento e a maturidade profissional para consolidação de suas pesquisas. Aqueles que iniciam sua carreira estão fadados a não conseguir dar continuidade à mesma.

Além do mais, se há um artista numa situação tão iniciante como está proposto pelo Edital ProAC n° 6, por que razão se espera dele uma produção e não se pensa em editais vinculados à formação? Será que antes de produzir não é necessário estudar, pesquisar? Editais de residência e de pesquisa não são mais adequados para impulsionar artistas tão iniciantes?

Esperamos que as autoridades e profissionais envolvidos com a elaboração/ discussão/habilitação deste edital leve em consideração nossas demandas e propostas. Seria mais condizente com a realidade da dança paulista e dos meios de fomento e difusão, que o edital reveja a sua definição de habilitados, considerando as discussões e reivindicações da classe. A definição de artistas em início de trajetória acima apresentada se mostra uma alternativa integrada aos desejos e necessidades de estudantes e profissionais da dança.

Outro aspecto que sugerimos ser revisto, é que o presente edital ProAC nº6 possa contemplar a produção e/ou a circulação. Isso significa que ficará a cargo do artista escolher se pretende se concentrar na criação e apenas estreá-la - sem se preocupar com a circulação; se quer somente circular um trabalho que já foi concebido anteriormente; ou ainda, se prefere fazer ambos, produzir e circular com a sua criação. A lógica da produção prioritariamente quantitativa não deve prevalecer atropelando o que a situação e a natureza do próprio projeto demandam.

Finalmente, sugerimos que se crie um edital específico que seja voltado para residência e pesquisa, e destinado a artistas que queiram aprimorar seus estudos com criadores paulistas mais experientes, vivenciando treinamentos, metodologias e estratégias construídas e orientadas por artistas com trajetória consolidada.

Assinam este documento:
- 9º Seminário A Dança se Move
- Cooperativa Paulista de Dança
- Movimento Mobilização Dança

Presentes: Valeska Figueiredo, Suzana Bayona, Alex Merino, Carlos Freitas, Marina Hohne, João Carlos Ferreira da Silva, José Maria C. Ferreira, Angela Nolf, Fernando Lee, Larissa Miwako, Gabriela Neves, Vera Sala, Lívia Imperio, Sandro Borelli, Isabela Pessotti, Fernanda Perniciotti, Ana Catarina Vieira, Ellen Gonsauer, Natalia Fernandes, Shayanny de Sá, Juliana do Nascimento, Djalma Moura, Renato Cruz, Natália Mendonça, Marcos Moraes e Fábio Farias.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Documento lido no encontro com Haddad

DOCUMENTO DO "A DANÇA SE MOVE" LIDO ONTEM (29/06/12) NO ENCONTRO COM O CANDIDATO À PREFEITO DE SÃO PAULO FERNANDO HADDAD.

Caro Fernando Haddad e senhores aqui presentes.
O sistema econômico ai estabelecido faz com que os governos eleitos, num processo ordenado e estabelecido pelos grandes aglomerados empresariais, privilegiem seus interesses lucrativos. Portanto, não temos como fazer a disputa neste campo em que as regras já estão impostas e, mesmo os ditos partidos "progressistas" não fazem nada mais que cumprir as diretrizes estabelecidas pelos donos do poder. Seja local, estadual, nacional ou mesmo, multinacional. São senhores incapazes de reconhecer a cultura como uma categoria de grande capacidade produtiva. Cegos e ignorantes, conseguem entender apenas os setores que produzem geladeiras, setor imobiliário, carros, combustíveis, autopeças, lucros, lucros, etc, etc.... Enquanto isso nossa população continua morrendo de fome por cultura.

Em nome de uma esquerda travestida de capitalista, abastece-se o sonho de uma burguesia hipócrita. É o que interessa, não é mesmo?

Os governos tem se notabilizado em implementar políticas públicas para a cultura do tipo “Faz de conta”, ou seja, finge que faz alguma coisa e a maioria finge que não aceita.

Cabe a nós, trabalhadores da arte e da cultura, termos consciência de que estamos alijados deste processo e, tendo que sobreviver nele, precisamos combinar as pautas com os nossos pares, no sentido de garantir pontos estruturais para podermos avançar naquilo que entendemos como políticas públicas de cultura.

No caso específico da dança, mesmo sendo uma expressão artística diversificada da maior relevância no que nos entendemos como civilização brasileira, as indicativas sequer foram rabiscadas.

Como pode um país de tantas etnias e qualidades artísticas ter, ainda, o eurocentrismo como modelo?

Cultura é cultivo e o mercado não pode ser destino final de seu produtor. A arte, que entendemos como produção de pensamento, não pode se pautar pela garantia mínima de adereços para a exploração. Podemos até estar enfraquecidos nesta onda, mas não devemos perder a capacidade de sonhar com outra realidade. E é justamente esta capacidade que pretendemos potencializar em nossa cooperativa.

Senhores, não viemos aqui para pedir mais verba para a Cultura, não viemos em busca do nosso quinhão, não queremos balcão, viemos aqui porque queremos uma política pública de fato para a dança e para isso gostaríamos de participar na elaboração do projeto de cultura para esta metrópole, queremos ser consultados quanto a escolha do próximo secretário de cultura, inclusive. Não queremos mais ser pautados pelos gestores públicos, queremos estabelecer uma parceria honesta e ética com o senhor, caso seja eleito.

Apesar dos apoios obscuros que o senhor tem recebido ultimamente, queremos ajudá-lo na sua eleição à prefeitura de São Paulo. Porque ainda acreditamos ser o PT o Partido dos Trabalhadores.

COOPERATIVA PAULISTA DE DANÇA
MOVIMENTO A DANÇA SE MOVE
MOVIMENTO MOBILIZAÇÃO DANÇA

quinta-feira, 24 de maio de 2012

8º “A DANÇA SE MOVE”


A COOPERATIVA PAULISTA DE DANÇA E O MOVIMENTO MOBILIZAÇÃO DANÇA CONVIDAM TODOS OS PROFISSIONAIS DE DANÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO PARA O 8º “A DANÇA SE MOVE” - UM MOVIMENTO EM PROL DAS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A DANÇA.

LOCAL:
CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO
Palácio Anchieta Viaduto Jacareí, 100 - Bela Vista - São Paulo - SP
SALA TIRADENTES, 8º ANDAR
Telefone: 3396-4000


DIA 26 DE MAIO - SÁBADO
DAS 12.30H ÀS 17H.


PAUTA:
1) Apresentação final dos programas:
a) Outras Trajetórias em Dança.
b) Difusão e Circulação.

2) Retomar a discussão sobre o Proac.

3) Propor um encontro com o Secretário de Cultura do Estado para apresentarmos novas propostas para a dança no estado.

4) Rever os critérios, por nós estabelecidos em 2011, que apontam os princípios norteadores sobre o papel da comissão no Fomento.

5) Retomar a discussão sobre o Colegiado Setorial de Dança.
a) Um relato da situação, (que está grave) com a sugestão de já indicarmos o nomes por São Paulo para o Colegiado. É hora de nos pronunciarmos.

6) Retomar a discussão sobre o Conselho Municipal de Cultura.

7) Carta manifesto para o Governo Federal.

8) Fazer os próximos “ A Dança se move” com alguns convidados que falem sobre "pesquisa em dança" e "gestão pública".

SUA PRESENÇA É MUITO IMPORTANTE!!
PARTICIPE DESTE MOVIMENTO EM PROL DA DANÇA !!
DIVULGUEM!!!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Carta ao Secretário de Estado da Cultura de São Paulo - ProAC

Carta ao Secretário de Estado da Cultura de São Paulo / Ano 2012
POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A DANÇA / Programa de Ação Cultural (ProAC)

A DANÇA PAULISTA, representada por seus artistas profissionais, vem propor, por meio deste documento, o estabelecimento de um diálogo frontal com a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, firmando compromisso e responsabilização da atual gestão pública do estado quanto ao Programa de Ação Cultural. Neste, explicitam-se também o panorama político-cultural da Dança de São Paulo e o quadro atual das políticas públicas estaduais para a Dança.

O Estado de São Paulo tem, em seu panorama, uma rica e múltipla produção de dança. Seus profissionais estão em rede, conectados, representados aqui pelas entidades: Cooperativa Paulista de Dança, Cooperativa Paulista de Teatro, Mobilização Dança, Dança se Move, entre outras entidades. Os artistas profissionais de nosso estado conferem desdobramentos de refinadas escolas de pensamento na arte da Dança: criamos e somos influenciados por grandes artistas brasileiros ou transnacionais, por épocas distintas, culturas e contextos diversos, aclamados, sutis, desconhecidos, instigantes, reinventados.

A Dança paulista é rica e mista, indo além da cena e de sua preparação, além do território do palco e dos municípios, mas certamente dentro de todos os seus mútuos símbolos, estendendo-se em ações políticas, desenvolvimento identitário e novos paradigmas contemporâneos.

Para além dos belos movimentos, que felizmente existem, a Dança repropõe, reconstrói e questiona, assim indagando a todos e também ao Senhor Secretário: O que estamos fazendo aqui agora? E como? E por quê? Nessas perguntas mutantes, de qualquer gestão – desde a gestão de uma cidade à gestão de uma vida –, é onde se insere a arte. Uma obra coreográfica é coisa séria, é articulação de cenários complexos. O que chamamos hoje de dança são as explícitas relações contemporâneas entre pessoa e ambiente, um sintoma do contexto.

Além de pedirmos aqui o compromisso de manutenção de direitos conquistados, explicitamos a seguir um breve quadro contextual, a fim de que o atual gestor possa ter ciência do ainda insuficiente panorama de condições em nossa área.

Relembremos a concepção e a intenção original da Lei Nº 12.268 do Programa de Ação Cultural - ProAC, que tem como objetivos:

I. apoiar e patrocinar a renovação, o intercâmbio, a divulgação e a produção artística e cultural no Estado;

II. preservar e difundir o patrimônio cultural material e imaterial do Estado;

III. apoiar pesquisas e projetos de formação cultural, bem como a diversidade cultural;

IV. apoiar e patrocinar a preservação e a expansão dos espaços de circulação da produção cultural.

Estas ações estão contempladas por editais anuais que, no caso da Dança, dirigem-se à seleção de projetos inseridos nas seguintes categorias: “Novas Produções de Espetáculo”, “Difusão e Circulação de Espetáculos”, “Pesquisa em Artes Cênicas” e “Primeira Obra de Artes Cênicas”. No entanto, os recursos orçamentários que financiam tais projetos tem se mostrado insuficientes e irrisórios para abarcar o que propõe a Lei.

A Dança em São Paulo tem se desenvolvido assumindo outro patamar: companhias estabelecendo-se, valorização dos artistas independentes, projeção e reconhecimento dos status de bailarino, dançarino, coreógrafo etc., projetos perdurando e consolidando-se, novas dinâmicas de diálogo social, cargos sendo gerados, enfim, a produção em dança assume, hoje, uma atuação profissional madura, não sendo circunstancial.

Diante desse panorama, a Dança vem reivindicar o aprimoramento do Programa de Ação Cultural – ProAC no que diz respeito aos seguintes aspectos:

1. Aumento substancial dos recursos orçamentários destinados ao segmento da Dança (incluindo os editais de “Novas Produções de Espetáculo”, “Difusão e Circulação de Espetáculos”, “Pesquisa em Artes Cênicas” e “Primeira Obra de Artes Cênicas”), seja quanto ao valor máximo de apoio a cada segmento, categoria ou módulo.

2. Na categoria “Novas Produções de Espetáculo”:
2.1. Priorização da produção do espetáculo em si, correspondendo às etapas de criação, montagem e apresentação, sem a obrigatoriedade de realizar circulação;
2.2. Apoio à estreia dos espetáculos contemplados em teatros específicos cedidos pela SEC-SP, seja na cidade de São Paulo ou no interior.

3. Nas categorias “Novas Produções de Espetáculo” e “Difusão e Circulação de Espetáculos”:
3.1. Possibilidade das produções contempladas receberem cachês durante o prazo de vigência dos prêmios, sempre que as mesmas integrarem diferentes programas desenvolvidos pela SEC-SP, tais como circuito cultural paulista, virada cultural paulista, dentre outros.

4. Nas categorias “Pesquisa em Artes Cênicas” e “Primeira Obra de Artes Cênicas”:
4.1. Fixação de editais distintos para os diferentes segmentos (Teatro, Dança, Circo).

5. Na categoria “Primeira Obra de Artes Cênicas”:
5.1. Revisão da definição em que devem se enquadrar os artistas ou grupo de artistas considerados iniciantes, estabelecendo limites mais claros entre proponentes amadores e profissionais.

6. Quanto às contrapartidas:
6.1. Revisão da obrigatoriedade de apresentação de contrapartidas, considerando que sua relevância e proposição devem estar organicamente vinculadas à natureza de cada projeto.

7. Quanto à inscrição dos projetos:
7.1. Implementação do sistema eletrônico de inscrição (seguindo moldes do ProAC ICMS);
7.2. No atual sistema: permissão para retirada dos projetos na SEC-SP pelos grupos, para reaproveitamento do material enviado.

8. Quanto à escolha da comissão e aos critérios de seleção dos projetos:
8.1. Transparência de critérios para formação da comissão;
8.2. Participação da classe artística na escolha da comissão de seleção;
8.3. Transparência quanto aos critérios adotados para a seleção dos projetos.

Ressaltamos aqui algumas das problemáticas e necessidades que envolvem nossa área, a fim de que o gestor público possa se debruçar também sobre questões que envolvem a cultura, para além dos tópicos saúde, educação e segurança:

- Dificuldades de manutenção de espaços culturais, companhias de dança e artistas independentes com trabalho continuado;

- Deficiência de programas continuados de difusão/circulação da dança na cidade, no estado, no país e no exterior;

- Carência de diálogo entre gestores e profissionais da dança, com menos interlocução burocrática;

- Demandas e potencialidades da dança são desconhecidas num estado que acumula um potencial artístico da maior magnitude, sendo referência para outros estados e países;

- Circulação precária de informações sobre a dança como área de conhecimento, privilegiando-se o caráter de produção de espetáculos;

- Ausência de profissionais especializados em dança nos cargos de gestão pública para o setor, colocando em risco as conquistas da categoria, uma vez que profissionais não qualificados criam distorções;

- Precariedade de espaços adequados à prática de dança no Estado de São Paulo.

Pontuamos ainda a enorme diferença entre os recursos orçamentários que vem sendo praticados pelo Fomento à Dança da cidade de São Paulo em comparação com os valores destinados a atividades culturais pelo ProAc.

Apesar dos avanços aqui apontados e conscientes de que ainda há muitos desafios que precisam ser resolvidos para que se estabeleça uma real política pública de estado, nos preocupam os atuais encaminhamentos por parte dos poderes públicos.

São desafios que envolvem Estado, entidades setoriais e iniciativa privada e requerem ações mais efetivas e, sobretudo, maduras em relação à diversa e sofisticada produção cultural brasileira, que, além de sua relevância simbólica e social, deve ser entendida como um dos grandes ativos econômicos da cidade e do país, capaz de gerar desenvolvimento. Entendemos que realizar esse potencial significa produzir riqueza e inclusão social, além da inserção qualificada de nosso estado no cenário nacional e internacional.

Em síntese: ainda é preciso evoluir muito nas ações de fomento e na capacidade de formulação e planejamento por parte dos realizadores e das organizações do setor, superando a lógica de projetos pontuais.

Esperamos, assim, que o atual documento seja disparador de um diálogo produtivo, necessário e urgente entre Dança Paulista e poder publico estadual, a partir do qual se efetive real participação da primeira nos processos decisórios das políticas públicas para a dança.

Cordiais saudações, 
Cooperativa Paulista de Dança
Cooperativa Paulista de Teatro
Mobilização Dança
Dança se Move

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Carta aos candidatos a prefeito da cidade de São Paulo – eleições 2012.


“POLÍTICAS PÚBLICAS À DANÇA DE FOMENTO – legítimas, atuais, republicanas.”

A DANÇA PAULISTANA, representada por seus artistas profissionais, considerando as eleições municipais de 2012, vem propor-lhes uma carta compromisso. Nela, explicitam-se o panorama político-cultural da Dança desta cidade e o quadro atual das políticas públicas municipais para a Dança, além de se apresentarem as impreteríveis demandas aos candidatos que pleiteiam cargos na gestão pública no período de 2013-2016. Propomos, desde já, estabelecer diálogo entre o próximo prefeito e os artistas da Dança, firmando aqui e agora, publicamente, compromisso e responsabilização do futuro representante da gestão pública municipal.

A cidade de São Paulo tem, em seu panorama, uma rica e múltipla dança de pesquisa. Seus profissionais estão em rede, conectados, representados aqui pelas entidades: Cooperativa Paulista de Dança, Cooperativa Paulista de Teatro, Mobilização Dança, Dança se Move, entre outras entidades. Os artistas profissionais de nossa cidade conferem desdobramentos de refinadas escolas de pensamento na arte da Dança: criamos e somos influenciados a partir de grandes artistas brasileiros ou transnacionais, influenciados por épocas distintas, culturas, contextos aclamados, sutis, desconhecidos, instigantes, reinventados.

A dança paulistana é rica e mista – como o contexto da cidade de São Paulo –, indo além da cena e de sua preparação, além do território do palco e da cidade, mas certamente dentro de todos os seus mútuos símbolos, estendendo-se em ações políticas, desenvolvimento identitário e novos paradigmas contemporâneos.

Para além dos belos movimentos, que felizmente existem, a Dança repropõe, reconstrói e questiona, assim indagando a todos e também ao senhor (a): O que estamos fazendo aqui agora? E como? E por quê? Nessas perguntas mutantes, de qualquer gestão – desde a gestão de uma cidade à gestão de uma vida –, é onde se insere a arte. Uma obra coreográfica é coisa séria, é articulação de cenários complexos. O que chamamos hoje de dança são as explícitas relações contemporâneas entre pessoa e ambiente, um sintoma do contexto.

Além de pedirmos aqui o compromisso de manutenção de direitos conquistados, explicitamos a seguir um breve quadro contextual, a fim de que o futuro gestor possa ter ciência do ainda insuficiente panorama de condições em nossa área.

Relembremos a concepção e a intenção original da Lei de Fomento à Dança na cidade de São Paulo, encaminhada pelo vereador José Américo, aprovada por unanimidade pela câmara dos vereadores (2005) e estabelecida na Lei nº 14.071-05. Por meio de dois editais por ano, o Programa Municipal de Fomento à Dança destina, por enquanto, recursos para pesquisa, produção, circulação e manutenção. A partir dessa lei, o circuito organizacional gerado possibilitou inúmeros desdobramentos de extrema complexidade. A Dança em São Paulo se desenvolveu assumindo outro patamar: companhias estabelecendo-se, valorização dos artistas independentes, projeção e reconhecimento dos status de bailarino, dançarino, coreógrafo etc., projetos perdurando e consolidando-se, novas dinâmicas de diálogo social, cargos sendo gerados, enfim, a produção em dança assume, hoje, uma atuação profissional madura, não sendo circunstancial.

Hoje, a necessidade é consolidar POLÍTICAS PÚBLICAS À DANÇA DE FOMENTO no que diz respeito à:

– implantação de programas que correspondam às especificidades da área (estímulo de artistas emergentes; manutenção e projeção de artistas em meio de carreira; criação de prêmios, bolsas-viagem; implementação de residências artísticas);

– intensificação ao apoio à pesquisa, produção, circulação e memória, com recursos não contingenciáveis, e a garantia de sua continuidade, para reverter a histórica ausência de política pública de estado para a dança;

– participação nos processos decisórios de políticas públicas, por meio do diálogo entre os poderes legislativo, executivo e a sociedade civil organizada;

– postura republicana no que diz respeito ao acesso aos recursos destinados à cultura, mediante editais públicos e mecanismos de difusão, seleção e acompanhamento do uso desses recursos por parte da sociedade civil organizada;

– criação de um Sistema Municipal de Cultura (já em formulação e andamento) nos moldes do Conselho Municipal de Saúde - SUS.

Ressaltamos aqui algumas das questões e necessidades que envolvem nossa área, a fim de que os candidatos que pleiteiam a administração pública numa das cidades de maior arrecadação do mundo possam se debruçar também sobre questões que envolvem a cultura, para além dos tópicos saúde, educação e segurança – palavras-chave em campanha eleitoral:

– Dificuldades de manutenção de espaços culturais, companhias de dança e artistas independentes com trabalho continuado.

– Deficiência de programas continuados de difusão/circulação da dança na cidade, no estado, no país e no exterior.

– Carência de diálogo entre gestores e profissionais da dança, com menos interlocução burocrática.

– Demandas e potencialidades da dança são desconhecidas numa cidade que acumula um potencial artístico da maior magnitude, sendo considerada referência para outros estados e países.

– Circulação precária de informações sobre a dança como área de conhecimento, privilegiando-se o caráter de produção de espetáculos.

– Ausência de profissionais especializados em dança nos cargos de gestão pública para o setor, colocando em risco as conquistas da categoria, uma vez que profissionais não qualificados criam distorções.

– Precariedade de espaços adequados à prática de dança, pois, apesar de haver na cidade de São Paulo aproximadamente 50 CÉUs com espaços cênicos interessantes, a maioria deles não conta com espaços de residência e carece de organização mais efetiva por parte de seus administradores.

Apesar dos avanços aqui apontados, e conscientes de que ainda há muitos desafios que precisam ser resolvidos para que se estabeleça uma real política pública de estado, nos preocupam os atuais encaminhamentos por parte dos poderes públicos.

São desafios que envolvem Estado, entidades setoriais e iniciativa privada e requerem ações mais efetivas e, sobretudo, maduras em relação à diversa e sofisticada produção cultural brasileira, que, além de sua relevância simbólica e social, deve ser entendida como um dos grandes ativos econômicos da cidade e do país, capaz de gerar desenvolvimento. Entendemos que realizar esse potencial significa produzir riqueza e inclusão social, além da inserção qualificada da nossa cidade no cenário nacional e internacional.

Salientamos, ainda, que, assim como Shangai, São Paulo está e estará em voga, no entanto sabemos que São Paulo está muito aquém da cidade chinesa em termos de políticas comunicacionais e tecnológicas que envolvem as cidades digitais contemporâneas. Orgulhamo-nos de dizer que, no que nos cabe, estamos preparados.

Em síntese: ainda é preciso evoluir muito nas ações de fomento e na capacidade de formulação e planejamento por parte dos realizadores e das organizações do setor, superando a lógica de projetos pontuais.

Da mesma maneira que nos apresentamos, caro (a) candidato (a), gostaríamos de ser retribuídos tendo acesso à sua visão e ao programa de políticas públicas para a dança.

Cordiais saudações,

Cooperativa Paulista de Dança
Cooperativa Paulista de Teatro
Mobilização Dança

POSTAGENS POPULARES